quarta-feira, 24 de junho de 2015

O Incontornável Abraço Final


Certa aula, um dos meus professores disse que todos os dias nos aproximamos do abraço da morte. Naquele momento, achei aquilo tão forte, mas, após pouca reflexão, percebi que a vida deixa isso claro para nós. Todos os dias ficamos mais próximos desse abraço. E essa é uma das poucas certezas que temos na vida. Portanto, acredito que devemos viver intensamente, sabe? Afinal, não sabemos quando seremos abraçados pela morte. Então, vivamos a nossa vida, realizemos os nossos sonhos, sejamos felizes na medida do possível, desfrutemos da nossa liberdade (obviamente, cuidando para não ferir a liberdade alheia), proliferemos o amor etc. Enfim, nem você e nem eu sabemos a quantos passos estamos do certo e inevitável abraço final.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

E VOCÊ? PREFERE FAZER SEXO OU AMOR?


Acredito que você que começou a ler esse texto achou que eu trataria diretamente do assunto, né?! Mas, na verdade, quero apenas fazer uma analogia com essas duas concepções que, para muitos de nós, estão bem definidas. Conforme a maioria pensa, fazer sexo é apenas se dispor a ter uma relação sexual com outra pessoa em busca única e exclusivamente de prazer; e que, em contrapartida, fazer amor é o ato sexual não somente como fonte de prazer, mas também, e quem sabe, primordialmente, como uma maneira de materialização do amor entre duas pessoas. Bem, vamos para a analogia que eu disse que faria. Diante de algumas observações recentes, eu noto que muitos, hoje, dão continuidade em seus cursos acadêmicos, porém, levam esse fato como se apenas fizessem sexo. Por outro lado, há aqueles que cursam sua graduação, no entanto, como se fizessem somente amor. Vou ser mais claro, percebo que há diversas pessoas que ingressam no mundo acadêmico não por gostar ou se identificar, verdadeiramente, com o curso, mas para tão somente ter um status de estudante universitário; sendo que muitos destes, a rigor, estão em um curso, mas querendo 'fazer amor' com outro. Esses são os que apenas “fazem sexo com o curso acadêmico”. Ao passo que existem aqueles que estão, sim, no curso que SEMPRE sonharam, ou que, talvez, nunca tenham sonhado, mas estão absurdamente apaixonados pelo curso desde que ingressaram no mesmo. Já esses são, por sua vez, aqueles que “fazem amor com o curso acadêmico”. Então, agora ficou claro?

E VOCÊ? PREFERE FAZER SEXO OU AMOR?

sábado, 4 de janeiro de 2014

Paciência

"Era uma vez um faminto. Passando um dia diante de uma  morada  singularmente grande, ele se dirigiu às pessoas que se aglomeravam nos degraus da escadaria, perguntando  a quem pertencia aquele palácio. "A um rei dos povos, o mais poderoso do Universo" responderam. O faminto foi então até os guardiões postados no pórtico de entrada e pediu uma esmola em nome de Deus. "Donde vens tu?" perguntaram os guardiões, "então não sabes que basta te apresentares ao nosso amo e senhor para  teres  tudo quanto desejas?" Animado pela resposta, o faminto, embora um tanto ressabiado, transpôs o pórtico, atravessou o pátio espaçoso que se seguia à entrada, assim como o jardim sombreado de vigorosas árvores, e logo alcançou o interior do palácio, passando de aposento em aposento,  todos  grandes,  de  paredes muito altas, mas despojados de qualquer mobília; sem se deixar perder no labirinto daquela estranha moradia, ele acabou por chegar a uma ampla sala revestida de azulejos decorados com desenhos de flores e folhagens que compunham agradavelmente com a enorme taça de alabastro plantada no meio da peça, de onde jorrava água fresca e docemente rumorejante; um tapete de veludo  bordado  com  arabescos  cobria parte desta sala, onde, recostado em almofadas, estava sentado um ancião de suaves barbas brancas, a face iluminada por um sorriso benigno. O faminto avançou para o ancião de barbas formosas, saudando-o:-Que a paz esteja contigo!" "E contigo a paz, a misericórdia e as bênçãos de Deus!" respondeu o ancião inclinando ligeiramente a fronte. "Que desejas, pobre homem?" "Ó meu senhor e amo, peço- te uma esmola em nome de Deus, pois estou tão necessitado a ponto de cair de fome." "Por Deus!" exclamou o ancião "é possível que eu esteja numa cidade onde um ser humano tenha fome como dizes? É intolerável!" "Que Deus te abençoe e abençoada seja tua santa mãe" disse o faminto  em  reconhecimento  aos sentimentos do ancião. "Fica aqui, pobre homem, quero repartir contigo o pão e que te sirvas do sal da minha mesa." E logo o ancião bateu palmas e ao jovem serviçal que se apresentou ordenou que trouxesse o gomil com a bacia. E disse pouco depois para o faminto: "Hóspede amigo, chega-te mais perto e lava as mãos." E o próprio ancião levantou-se, dobrou o corpo para a frente, e fez com nobreza o gesto de esfregar as mãos debaixo da água que era supostamente derramada de um gomil invisível. O faminto ficou sem saber o que pensar da encenação que seus olhos viam e, como o ancião insistisse, ele deu dois passos e fez também de conta que lavava as mãos.  "Ponham a toalha. Depressa!" ordenou o ancião aos servidores "e não demorem em trazer-nos o que comer, que este pobre homem está quase a desfalecer de fome." Vários servos começaram a ir e vir, como se pusessem a mesa e a cobrissem com numerosos pratos. O faminto, dobrando-se de dor, pensou com seus botões que os pobres deviam mostrar muita paciência diante dos caprichos dos poderosos, abstendo-se por isso de dar mostras de irritação. "Senta-te a meu lado" disse o ancião "e trata de honrar a minha mesa." "Ouço e obedeço" disse o faminto sentando-se no tapete ao lado do ancião, frente à mesa imaginária. "Senhor meu hóspede, minha casa é a tua casa e minha mesa é a tua mesa. Não faças cerimônia, come enquanto estiveres no apetite." E como o ancião o estimulasse a acompanhá- lo, o faminto não se fez esperar, logo simulando também tocar nos supostos pratos, espetar bons nacos, e, movendo o queixo, mastigar e engolir a comida inexistente. "Que me dizes deste pão?" perguntou o ancião. "Este pão é bem alvo e muito bom, nunca na vida comi outro que mais me soubesse" respondeu prontamente o faminto, sem forçar sua gentileza. "Que prazer tu me dás, ó senhor meu hóspede! Mas penso que não mereço esses elogios, senão que dirás tu das iguarias que estão à tua esquerda, este assado com recheio de arroz e amêndoas, este peixe em molho de gergelim, ou estas costelas de carneiro! E que dirás do aroma?" "O aroma é embriagador tanto quanto o aspecto e o paladar divinos." "Não posso deixar de reconhecer que o senhor meu hóspede está animado da maior indulgência para com a minha mesa, por isso mesmo vais provar agora da minha própria mão um bocado incomparável" disse o ancião, simulando tirar  entre  as  pontas  dos  dedos  um bocado da travessa e chega-lo aos lábios do faminto, dizendo: "Deves mastigar bem!" O faminto estendeu os lábios para que o bocado lhe fosse introduzido na boca, mastigando-o bastante em seguida, fechando até os olhos de deleite para dar maior realidade à sua representação: "Excelente!" exclamou em acabamento. "Ó meu hóspede amigo, pelo modo como falas bem se vê que és pessoa de gosto, habituado a comer à mesa de príncipes e de grandes; come mais, e que te faça bom proveito." "Estou satisfeito, já provei de todos os pratos, não posso mais" disse o faminto sorrindo em agradecimento, e mal contendo as dores da sua terrível fome. O ancião então bateu palmas e quando vieram os servos disse: "Podem trazer a sobremesa." Os jovens servos romperam numa azáfama, agitando os braços em gestos variados e com certo ritmo, depois de tantos outros rápidos e precisos que significavam levantar uma toalha e pôr outra, embora nada fosse mudado. Finalmente o ancião ergueu a mão e eles se retiraram. "Dulcifique-mo-nos" disse o ancião com algum preciosismo "vãos aos doces: esta torta empolada de nozes e oas, com certo ar épico, parece muito capaz de nos tentar. Prova um bocado, hóspede amigo, é  em  tua  honra  que  ela  há  de  ser partida. Tens aqui a calda almiscarada, talvez queiras mesmo polvilhá-la. . . Come, come, não faças cerimônia." E o ancião   dava   o   exemplo,   imolando colherada sobre colherada, com apetite e requinte, numa encenação tão perfeita, como se saboreasse uma torta de verdade. E o faminto o imitava com arte embora a fome mais do que nunca lhe contraísse o estômago. "Geléias? Frutas? Tens aqui tâmaras secas, tâmaras em licor, passas.. . De que é que mais gostas? Por mim prefiro a fruta seca à fruta preparada pelo confeiteiro, não se perdeu o sabor nativo.  Tens  de  provar  também  esses figos acabados de colher da árvore. Não? E os pêssegos? Talvez prefiras ameixas. . . Tens aqui, come, come, Deus é clemente com os humanos!" O faminto, que à força de mastigar em falso tinha a boca e a língua e os maxilares cansados, ao passo que o estômago lhe gritava cada vez mais alto, respondeu à insistência continuada do ancião: "Estou satisfeito, senhor, não quero mais nada!" "É estranho! Pela fome que te trouxe até aqui, hóspede amigo, admira que te saciastes tão depressa; de qualquer forma, foi uma honra dividir minha mesa contigo. Mas ainda não bebemos. . ." disse o ancião com um leve traço de zomba lhe percorrendo os lábios, e logo bateu palmas e a esse sinal acorreram adolescentes de braços graciosos em suas túnicas claras, e simularam levantar a toalha, pôr outra, e plantar em cima taças e copos de toda a ordem. E o anfitrião, encenando sempre, encheu as taças, oferecendo uma ao faminto que a recebeu com vênia amável, levando-a em seguida aos lábios: "Que vinho sublime!" exclamou ele fechando de novo os olhos e estalando a língua. E mais vinho foi derramado nas taças, e outros supostos vinhos   foram   trazidos,   de   muitas espécies e sabores. Um e outro entremeavam a consumação, entregando-se ao jogo instável dos embriagados, pendulando lentamente a cabeça e o meio- corpo, além de muitos outros trejeitos, até que todas as garrafas fossem provadas. E depois de ter deitado tanto vinho nos copos, o ancião interrompeu subitamente a falsa bebedeira, e, assumindo sua antiga simplicidade, a fisionomia de repente austera, falou com sobriedade ao faminto com quem dividira imaginariamente sua mesa: "Finalmente, à força de procurar muito pelo mundo todo, acabei por encontrar um homem que tem o espírito forte, o caráter firme, e que, sobretudo, revelou possuir a maior das virtudes de que um homem é capaz: a paciência. Por tuas qualidades raras, passas doravante a morar nesta casa tão grande e tão despojada de habitantes, e está certo de que alimento não te há de faltar à mesa." E naquele mesmo instante trouxeram pão, um pão robusto e verdadeiro, e o faminto, graças à sua paciência, nunca mais soube o que era fome [...]”

- Lavoura Arcaica - Raduan Nassar (Capítulo 13)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

O Iceberg e Eu


As horas vão passando, vai ficando cada vez mais tarde e eu vejo que os barulhos de um dia, ao cair da noite, passam a residir o meu interior. Sim, mas os ruídos que ecoam de dentro de mim, são os pensamentos que se digladiam procurando encontrar aquele que é o mais forte, o mais correto, o mais beneficiador, o mais persuasivo etc. Então, eu me vejo no meio dessa guerra. Talvez, eu seja o juiz dessa desgastante luta, embora, quase sempre, eu não saiba com quais medidas eu realmente devo me valer ao julgar qual, de fato, será o vencedor. E durante todo esse embate de pensamentos que se valem de lembranças do dia e da vida para se configurarem no momento do combate, eu vou me constituindo enquanto pessoa. Depois de cansativas reflexões, eu chego à conclusão que me assemelho a um iceberg. Mas, por quê? Porque o iceberg se apresenta a todos que navegam como uma pedra de gelo de pequeno porte; no entanto, poucos sabem que embaixo daquela pequena pedra que atravessa a superfície da água em direção ao céu, existe uma grande estrutura de gelo que embasa aquela pontinha sobre a água. Sim, e onde está a semelhança? Pois bem, eu me apresento a muitos como apenas aquela pontinha que perfura a superfície da água. Entretanto, há aqueles que sabem que eu sou muito mais do que eu me apresento aos que me rodeiam, sabem que dentro de mim existem grandes dilemas que eu não exponho tão facilmente, que existe uma história que delineia muitas das minhas atitudes, que sou um guardador de segredos, do mesmo modo, que sou um exímio sonhador, bem como alguém que carrega os sonhos de tantos. E é aí que vejo o quanto carregar os sonhos alheios que se projetam em mim é tão difícil. Não realizar sonhos próprios é algo triste, mas ter a responsabilidade de tornar real, os sonhos alheios que se corporificam em mim, é algo bastante desafiador, sobretudo, amedrontador. Porque ninguém como nós mesmos para conhecer quem verdadeiramente somos. Portanto, apenas nós sabemos quais sonhos podemos materializar ou não na categórica vida real. Enfim, é isso... Essas linhas apenas são um desabafo de alguém que sonha e carrega, sobretudo, os sonhos de outros tantos sonhadores em si.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

TROFÉUS OU HUMANOS?




É quase que comum a gente ouvi as pessoas dizendo: “De quem eu gosto, não gosta de mim, mas de quem eu não gosto, está sempre atrás de mim.” Mas o que nos leva a não gostar daquelas pessoas que gostam de nós? Ou não sermos o alvo daqueles que gostamos? Na verdade, não gostamos de quem gosta de nós, e o contrário, porque não aceitamos as pessoas como elas são. Variados (pre)conceitos, berços culturais, modo de enxergar as faculdades e dificuldades do outro, influenciam nos nossos gostos de modo a fazer com que nos ‘impeçamos’ de sermos tocados pelo ser humano. De sermos amados e amar. De sermos felizes e causar felicidade. Além disso, a não aceitação da pessoa que nos ama é proveniente do fato de olharmos alguém que se ‘candidata’ a um relacionamento como algo para mostrar às outras pessoas. Como um troféu. Mas, por que troféu? Todos que ganham em alguma disputa, jogo ou afins, têm como prêmio um lindo e reluzente troféu. E aqueles que olham o pretendente como um possível ‘troféu’, de maneira (in)consciente, tem como motivo para ter aquele prêmio, simplesmente, as suas próprias características, isto é, além de exibir aos demais seu mais novo ‘troféu’, deseja salientar que o fato de estar com ele é justificado pelo seu merecimento que parte de suas qualidades, sobretudo, deixando muitos na vontade de poder ‘erguer’ aquele objeto de desejo. E por conta de tudo isso, o ser humano sofre e faz sofrer. Afinal, quase sempre as pessoas não olham com seus olhos, mas olham da forma que outros, possivelmente, olharão! Mas, a pergunta que não quer calar... Quem vai se relacionar? É você ou os outros?

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Isto ou Aquilo?


“MAS NÃO CONSEGUI ENTENDER AINDA QUAL É MELHOR: SE É ISTO OU AQUILO.” E essa é a forma que Cecília Meireles finaliza seu poema. A verdade que esse fragmento traz não é apenas a do Eu-lírico, mas de todos nós. Quantas vezes nos pegamos indecisos com as questões da vida? Muitas, não? Nunca estamos, de todo, satisfeitos. Os nossos desejos? Ah... Esses são tantos... E corremos atrás da concretização de alguns, porém outros deixamos sob o poder que o tempo exerce de forma tão evidente em nossas vidas. Quanto a nossa insatisfação, podemos atestá-la em nossos anseios. Sabe quando? Quando percebemos que aquilo que tanto desejávamos, e que acabamos conseguindo, já não possui o mesmo brilho de outrora, não nos toca como antes e nos leva a desejar outras coisas, porque aquela que temos já não nos satisfaz por já estar ‘desbotada’. É como se o ser humano fosse movido pela emoção do conseguir... Conseguir... Conseguir... E não em conservar... Conservar... Conservar... Então, é aí que se instala a indecisão de qual é o melhor... Isto que tenho? Ou aquilo que posso, quem sabe, conseguir? Em função disso nos desestruturamos de maneira incontestável. Desestruturação? Sim! Psicologicamente, espiritualmente e fisicamente. E será mesmo que vale a pena tudo isso? E o que fazemos para trazer nosso controle de volta? Bem... Será se ao menos tentamos trazê-lo de volta? Ou... Queremos apenas conseguir, ainda que desestruturados...? Reflitamos!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Ama-se só no Natal?


É.. E mais um fim de ano se aproxima.. Mais um natal bate à porta.. E é uma correria nas lojas para comprar presentes, organizar ceias, enfeites para a árvore de natal. Faz-se amigo oculto, e muitos apenas deixam para falar ao seu semelhante o que pensa ou sente por ele nesse momento. Eu me pergunto: Por que tantos de nós deixamos apenas para datas com o Natal para evidenciar ao outro seu valor e desejar votos de felicidade, paz, sucesso e saúde? Será se só na passagem de um ano para o outro que podemos fazer isso? Por que tanto automatismo? Então, que nós aprendamos deixar claro aos nossos semelhantes a importância que eles exercem em nossas vidas continuamente. E que não apenas façamos isso no final de um ciclo, de um ano, de período. Que seja contínuo e verdadeiro, lançando fora a hipocrisia e falsidade, para que o AMOR sobressaia!