sexta-feira, 24 de junho de 2016

A PORTA DE ONDE VIVE A ESPERANÇA




São tantos que passam por essa porta...
Passam pais cujos filhos padecem,
E filhos cujos pais experienciam a fragilidade de seus últimos dias.
Ainda por essa porta, passam os profissionais da saúde,
Profissionais que carregam consigo a esperança,
Mas também diagnósticos que fazem os olhos se molharem.

São tantos que passam por essa porta...
Passam aqueles cuja vida foi devolvida,
E aqueles que, com o mínimo de ar, desfalecem lentamente.
Ainda por essa porta, passam os anjos que circulam pelos corredores,
Anjos como os maqueiros, os colaboradores da limpeza e os copeiros,
Anjos que se compadecem da dor do outro, mas também fomentam a confiança.

São tantos que passam por essa porta...
Por onde entram os que lutam pela vida,
Que lutam pela sua vida, mas também pela do outro,
Por onde saem aqueles com o sentimento de dever cumprido,
Aqueles com um futuro totalmente (re)traçado,
E aqueles que precisarão viver da fé.

- WARLEY CAMPOS

quarta-feira, 8 de junho de 2016

A FACE DE UM DESTINO

As nuvens se unem e vestem o mais expressivo cinza
O vidro da janela já está bordado com pingos d’água
Entre os paralelepípedos, está a água que não escorreu
E com o som do vento que sopra, as folhas dançam.

Aqui dentro, a lenha queimando na lareira estrala
O vapor do chá em minhas mãos viaja para minhas narinas
A casa que dantes vivia era sempre cheia,
Mas a que agora vivo
Parece ecoar meus pensamentos
E para onde foram todos?

Ah... Foram para as suas casas,
Partiram em busca dos seus sonhos,
Migraram-se para onde seus olhos apontaram,
Seguiram suas vidas.

Eu?
Ah... Eu vim para minha casa,
Cheguei até onde a vida me trouxe,
Segui a minha vida.

- Warley Campos

(DES)ESPERANDO PELO AMOR‏

Meu olfato aflora
Pois a terra anunciou
Chove lá fora
Pois o céu abençoou
O som da vitrola ressoa
E agora vejo que garoa
A música, a minh'alma, povoa 
E meu pensamento sem rumo voa
Meu coração, por você, espera
Pois o amor ainda impera
A saudade é mais severa
E o reencontro mais parece uma quimera.
- Warley Campos

CORAÇÕES (DES)LIGADOS‏

Lábios que se beijam
Olhos que se molham
Braços que se abraçam
Mãos que se apertam
Os minutos vão voando
A Maria Fumaça vai parando
As lágrimas pingando
A hora chegando
Os lábios se soltam
Os olhos se encharcam
Os braços se separam
As mãos agora acenam
A Maria vai saindo
A fumaça vai subindo
A saudade consumindo
E os corações se partindo
- Warley Campos

(VO)CÊ

Nos tempos de outrora,
Era Vossa Mercê.
Nos tempos de agora,
É apenas (Vo)cê.
Nos tempos de outrora,
O uso era real.
Nos tempos de agora,
O uso é geral.
Nos tempos de outrora,
Era um TU venerabundo.
Nos tempos de agora,
É um EU, um TU e TODO MUNDO.
- Warley Campos

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Uma reflexão...

Ser refém de algo/alguém é umas das piores coisas que pode existir. Entre outros aspectos, penso que as pessoas que são vítimas de tragédias naturais, sobretudo, culturais são nada mais que reféns de um sistema, de um poder que lhe excede o controle, de uma força que facilmente as arrastam em um "cabo de guerra" injusto e que as vitimiza. Para muitos, as mortes provenientes dos fatos funestos não passam de números, pois não se tratam de nenhum dos seus; na verdade, os que sofrem são, sim, nossos irmãos, o nosso próximo, enfim, um de nós! Ah, é válido ressaltar que, hoje, as vítimas que sofrem podem ser referenciadas por "eles", mas não estamos isentos de forma alguma de, um dia, referenciarmos às vítimas com um "nós". Reflitamos sobre, ajudemos quando possível!

Onde se encontra?

Não raras vezes, percebemos que algumas pessoas parecem estar estagnadas, que já se acostumaram a uma desmedida inércia que conduz à mediocridade ou a sonhos rasteiros e sem muitas progressões. É como se elas decidissem viver dando voltas em seu mundo particular, como se estivessem dentro de uma roda gigante, a qual, ciclicamente, realiza seu dever, ao passo que o mundo fora dela avança, e segue seu curso através do tempo que, aparentemente, se mostra cada vez mais abreviado. Levando em consideração esse modo peculiar de experienciar a vida, podemos refletir sobre a maneira como as pessoas se mostram sensíveis à felicidade. Por um lado, uns parecem estar MUITO sensíveis ao "'ser' feliz", a ponto de contentar-se com o pouco que lhes são ofertado em seus giros repetidos e costumeiros; por outro lado, encontramos aqueles que parecem precisar de mais, de outras vivências, da aventura e o do frio na barriga de uma montanha russa, não somente, das voltas, sem qualquer violação de curso, de uma roda gigante. Enfim, cabe a cada um avaliar suas motivações para a vida: uns ficarão presos à roda gigante, outros procurarão caminhos que levam a diferentes mundos... Fica, então, a cargo de cada um se acostumar com aquele estilo de vida que mais lhe faz feliz.